Evangelho do dia:Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento (Jo 2, 1-2).

segunda-feira, 2 de março de 2015

CAMPANHA DA FRATERNIDADE

9. IGREJA E SOCIEDADE: CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS

A sociedade brasileira conhece grande pluralismo desde o início, com sua matriz étinica de origem eroupeia, africana e indígena. E, com os atuais meios de comunicação e transporte, a sociedade brasileira inseriu-se no mundo globalizado. O pluralismo pode trazer não só oportunidades e benefícios, ao conceder maior liberdade às pessoas, mas também a perda ou relativização de referências culturais. 
  As redes de comunicação pela internet e pelos celulares, via tablets e computadores pessoais, permitem novas formas de sociabilidade e de conhecimento. Possibilitam novas formas de organização, novas comunidades e sentimentos de pertença. Mas a imensa quantidade de informações disponíveis pode contribuir para a fragmentação e o enfraquecimento da capacidade de discernimento relativa às questões ético-morais. Diante do risco da interação e comunicação virtuais, frágeis e superficiais, deve-se valorizar a relação face a face, pois pode gerar mais compromissos.
  Outro elemento que permeia a sociedade brasileira é a laicidade, doutrina que quer a constituição de um Estado sem interferência de uma religião específica, para garantir a liberdade religiosa e o sadio pluralismo. A Igreja reconhece a laicidade, mas repudia o laicismo, proposta que hostiliza qualquer forma de relevância política da fé e procura desqualificar o empenho social e político das religiões.
  Perpassa a sociedade atual e cultura do descartável, que, segundo o papa Francisco, considera o ser humano com um bem de consumo e, após usá-lo, o lança a fora. Assim, os excluídos não são somente explorados, mas resíduos, sobras (EG 53). Em contraposição a esta cultura, a sociedade também apresenta sinais do novo em muitos homens e mulheres, crentes ou não, que se empenham em construir uma cultura mais adequada à realização humana. Uma cultura de respeito à consciência de cada um, de tolerância e abertura à diferença e às diferentes culturas, pela solidariedade com todo o criado, pela rejeição das injustiças e pela sensibilidade para com os pobres (Texto-base CF-2015, nn. 80-108).
                   Padre Luiz Carlos Dias
Secretário-executivo da CF